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Escola de Costura capacita 40 venezuelanos e migrantes em costura básica

Oferecer uma possibilidade de reconstrução de vida e uma nova perspectiva de futuro para migrantes e refugiados por meio de formação, reforço da autoestima e apoio para inclusão no mercado de trabalho. Esses são os objetivos de um projeto pioneiro do Instituto Lojas Renner, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e apoio do Senai. A iniciativa, que teve início em maio de 2021, capacitou 40 venezuelanos e haitianos em Blumenau e Criciúma, em Santa Catarina. Os alunos passaram por oficinais socioemocionais, curso técnico em costura básica e tiveram apoio nos processos seletivos realizados pelas fornecedoras das Lojas Renner, Vanelise e Ease, parceiras no projeto.
 
A escolha dos municípios catarinenses foi pautada em dois fatores principais: o potencial de contratação e a presença dos fornecedores parceiros das Lojas Renner no estado. Só em Criciúma, estima-se um potencial de mais de 300 vagas, resultado principalmente do polo têxtil desenvolvido e com alta demanda por mão de obra. O outro ponto fundamental é que 70% dos fornecedores parceiros da companhia estão em território catarinense. Mas isso não impede que a iniciativa ganhe escala e seja replicada em outras regiões, como explica Eduardo Ferlautto, diretor do Instituto Lojas Renner.
 
“Nosso intuito é engajar outras empresas da nossa cadeia de fornecedores na contratação de migrantes e refugiados, uma causa abraçada pela Lojas Renner há alguns anos. Acreditamos que, assim, vamos formar mais profissionais para atuarem no setor e sensibilizar mais contratantes para a inclusão destas pessoas que são transversais a todos os pilares de diversidade que buscamos valorizar. Queremos que o modelo do projeto em Santa Catarina seja replicável em outros estados também”, ressalta.
 
A meta da iniciativa era atender principalmente o público feminino e venezuelanos e isso se traduz no perfil dos alunos: 80% são mulheres, além de serem 24 venezuelanos e 16 haitianos nas duas turmas.
 
Muito além da costura
 
Participantes haitianas e venezuelanas reunidas na formatura do grupo em Criciúma. Crédito: Djanine Warmling
 
A primeira etapa do projeto foi a divulgação do curso de Costura Básica entre os migrantes e refugiados dos dois municípios catarinenses e seleção dos alunos. Para isso, o Instituto Lojas Renner contou com o suporte da Redvolution21, empresa de consultoria de Curitiba (PR) que ajuda organizações a criarem estratégias de valor compartilhado. A equipe realizou uma reunião inaugural para tirar dúvidas, fornecer informações e fazer cadastro dos alunos. Depois que identificaram as necessidades do público, definiram a carga horária e o que seria ensinado. Em Criciúma, a organização contou com o apoio da Cáritas Diocesana.
 
O padre Wilson Buss, presidente da Cáritas Diocesana de Criciúma, explica que o processo iniciou com o contato com os migrantes que já tinham sido atendidos pela organização e com órgãos públicos municipais para ampliar a rede. A partir desse contato, a Cáritas cedeu parte da estrutura da paróquia para que a Redvolution21 pudesse explicar sobre o projeto para migrantes e refugiados, além dos treinamentos socioemocionais e de autoestima que foram realizados pela empresa. Buss explica que essa busca por alunos ajudou a organização a expandir sua conexão com venezuelanos da região, que inclusive se mobilizam para criar uma associação própria - 18 famílias já estão cadastradas - para compartilhar experiências e oportunidades.
 
Apesar de alguns desafios, como ser um curso em horário comercial e a mistura de idiomas, com haitianos e venezuelanos na mesma turma, os resultados foram muito positivos, como destaca Buss.
 
“Esse projeto é de suma importância porque, apesar da maioria desses migrantes geralmente terem qualificação, eles trabalham em funções sem essa exigência. Então, conseguir um emprego assim é um ganho e uma segurança para fazer um futuro melhor. A gente ficou muito feliz que a Lojas Renner tenha dado essa oportunidade para que migrantes pudessem se qualificar e também entrar no mercado de trabalho. Nem todos têm esse olhar para com os migrantes. A migração é um fenômeno mundial e cada vez mais acentuada”, afirma o presidente da Cáritas Diocesana de Criciúma.
 
Os alunos em ambas as cidades receberam vale-transporte, o que foi fundamental para conseguir frequentar as aulas, já que boa parte estava desempregada. Esse suporte resultou em uma assiduidade de 100% no curso. Os participantes também receberam um vale-alimentação de R$ 100, por meio de um cartão da Ticket.
 
Autoestima, empoderamento e preparação para o trabalho